Filme para quem não conhece a história da Argentina. Especialmente, a Plaza de Mayo e sua importância.
A película trata o problema vivido no período da ditadura militar na Argentina (de 24 de março de 1976 - 10 de dezembro de 1983) por mulheres que perderam seus maridos, mortos, e seus filhos, alguns deles, vendidos. À mesma época se deu a Guerra das Malvinas, uma estratégia do governo militar para desviar o foco das atenções internas, devido aos assassinatos de muitos civis.

Estive em Buenos Aires em julho de 2006 e, passadas quase três décadas, as manifestações, incrivelmente, continuavam - não sei hoje como estão. Toda quinta-feira as mães ou avós que sofreram com os desaparecimentos e mortes, se encontravam na Plaza de Mayo, num protesto pungente, que calava fundo àqueles que as observavam.
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| PLAZA DEL MAYO - CASA ROSADA |
Ante às primeiras desaparições, as famílias dos afetados começaram a se mobilizar para denunciar seus casos à policia, à Igreja, aos partidos políticos e a alguns políticos proeminentes. Também formaram organismos de denúncia como A Liga, A Assembléia, Familiares etc. Todas as tentativas de se fazer justiça, no entanto, topavam com a indiferença, a ameaça ou a burocracia do regime militar. A maioria dos denunciantes foram as próprias mães dos desaparecidos. Todas elas recorriam aos mesmos lugares para denunciar e, pouco a pouco foram se conhecendo.
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| Caminito |
Nessa época eram mal vistas socialmente, porque eram familiares de “subversivos” e este estigma lhes fechava todas as portas. Suas famílias eram conhecidas como a família de “terroristas”, o que as afastava da sociedade. Porém, na Praça, sentiam-se bem. “Éramos umas iguais às outras; haviam levado nossos filhos, passávamos pelo mesmo; havíamos ido aos mesmos lugares. Era como se não houvesse nenhuma diferença e nenhum distanciamento. Por isso nos sentíamos bem. Por isso a Praça agrupou-se. Por isso a Praça consolidou-se”. - Hebe de Bonafini, presidente da Associação de Mães da Praça de Maio.
Em A história Oficial, a professora de História Contemporânea Argentina, Alicia, vive um drama de consciência. Mãe adotiva, era feliz com seu marido e sua filha que completara cinco anos até que começa a ouvir rumores de que Gaby poderia ser uma das crianças desaparecidas e, pior, seu marido estivera envolvido na transação.
Entende-se que Roberto, o pai, foi um funcionário do governo, pois, àquela época, os ditadores distribuíram as crianças para políticos e militares, para que não vazasse a informação.
Alicia começa a investigar a fundo e é aí que ela conhece a suposta avó de Gaby. Vai à Plaza de Mayo, vê o sofrimento de mães que, há anos procuram seus filhos desaparecidos.
Acredito que seu drama não esteja só em descobrir que a filha poderia ser uma das desaparecidas e que seu marido a enganara todo o tempo. Acima de tudo, está a questão da honestidade e coerência profissional, uma vez que, como professora, passava aos alunos uma história que não correspondia à realidade.



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