sexta-feira, 28 de agosto de 2009

História Oficial


 Filme para quem não conhece a história da Argentina. Especialmente, a Plaza de Mayo e sua importância.



A película trata o problema vivido no período da ditadura militar na Argentina (de 24 de março de 1976 - 10 de dezembro de 1983) por mulheres que perderam seus maridos, mortos, e seus filhos, alguns deles, vendidos. À mesma época se deu a Guerra das Malvinas, uma estratégia do governo militar para desviar o foco das atenções internas, devido aos assassinatos de muitos civis.















Estive em Buenos Aires em julho de 2006 e, passadas quase três décadas, as manifestações, incrivelmente, continuavam - não sei hoje como estão. Toda quinta-feira as mães ou avós que sofreram com os desaparecimentos e mortes, se encontravam na Plaza de Mayo, num protesto pungente, que calava fundo àqueles que as observavam.

PLAZA DEL MAYO - CASA ROSADA

Ante às primeiras desaparições, as famílias dos afetados começaram a se mobilizar para denunciar seus casos à policia, à Igreja, aos partidos políticos e a alguns políticos proeminentes. Também formaram organismos de denúncia como A Liga, A Assembléia, Familiares etc. Todas as tentativas de se fazer justiça, no entanto, topavam com a indiferença, a ameaça ou a burocracia do regime militar. A maioria dos denunciantes foram as próprias mães dos desaparecidos. Todas elas recorriam aos mesmos lugares para denunciar e, pouco a pouco foram se conhecendo.

Caminito
Até que um dia, protestando na Igreja da Marinha, cansada, uma das mães propôs que fossem todas à Plaza de Mayo, tentar falar com o presidente sobre o que havia acontecido com seus filhos. Na primeira ocasião, foram num sábado – 30 de abril - e perceberam que ninguém as ouviria. Voltaram na sexta-feira seguinte, até que ficou marcada toda quinta-feira, às três e meia da tarde para se reunirem lá e, cada vez mais mães apareciam. Elas não marchavam, apenas ficavam sentadas no banco, até a polícia decretar que o fizessem, pois o país estava em estado de sítio.

Nessa época eram mal vistas socialmente, porque eram familiares de “subversivos” e este estigma lhes fechava todas as portas. Suas famílias eram conhecidas como a família de “terroristas”, o que as afastava da sociedade. Porém, na Praça, sentiam-se bem. “Éramos umas iguais às outras; haviam levado nossos filhos, passávamos pelo mesmo; havíamos ido aos mesmos lugares. Era como se não houvesse nenhuma diferença e nenhum distanciamento. Por isso nos sentíamos bem. Por isso a Praça agrupou-se. Por isso a Praça consolidou-se”. - Hebe de Bonafini, presidente da Associação de Mães da Praça de Maio.

Em A história Oficial, a professora de História Contemporânea Argentina, Alicia, vive um drama de consciência. Mãe adotiva, era feliz com seu marido e sua filha que completara cinco anos até que começa a ouvir rumores de que Gaby poderia ser uma das crianças desaparecidas e, pior, seu marido estivera envolvido na transação.

Entende-se que Roberto, o pai, foi um funcionário do governo, pois, àquela época, os ditadores distribuíram as crianças para políticos e militares, para que não vazasse a informação.

Alicia começa a investigar a fundo e é aí que ela conhece a suposta avó de Gaby. Vai à Plaza de Mayo, vê o sofrimento de mães que, há anos procuram seus filhos desaparecidos.

Acredito que seu drama não esteja só em descobrir que a filha poderia ser uma das desaparecidas e que seu marido a enganara todo o tempo. Acima de tudo, está a questão da honestidade e coerência profissional, uma vez que, como professora, passava aos alunos uma história que não correspondia à realidade.

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